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Um pouco sobre a vida e obra de Elis Regina

Celso Antonio Pereira - Para o Show “Felisidade” com Nathan Marques e Myrthes Aguiar, em 15/07/09

 

O anos de 1964 e a música Arrastão, de 1965, cantada no I festival da MPB na TV Excelsior foram marcantes na vida e obra da Elis Regina.

Elis tinha 20 anos.

A platéia gritava histérica quando ela levantava e girava os braços, enquanto soltava a voz cantando “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes.

Era a primeira vez que Elis aparecia para o grande público.

Alí ela se consagrou. A música venceu o festival e ela ganhou como melhor interprete, como era de se esperar.

Gaúcha de Porto Alegre, Elis Regina Carvalho Costa nasceu em 17/março/1945 e começou a cantar aos 11 anos num programa de rádio para crianças chamado “O Clube do Guri”, na Rádio Farroupilha de Porto Alegre.

Como a imensa maioria dos músicos da sua geração, recebeu como um impacto o lançamento de “Chega de Saudade” (Tom Jobim - Vinicius de Moraes) por João Gilberto em 1959. Ela estava varrendo a casa quando ouviu a música no rádio. Desatou a chorar e não descansou até encontrar o disco numa loja.

Lançou seu primeiro LP em 1961, aos 16 anos de idade.

Em 1964, participa do programa Noites de Gala na TV Rio apresentada pelo Paulo Gracindo.  Lá conhece o baterista Dom Um Romão que a leva para se apresentar no Beco das Garrafas dirigido pela dupla Luís Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli, com os quais ainda realizaria diversas parcerias, e um casamento com Bôscoli em 1967.

Foi no Beco das Garrafas, mais importante reduto da Bossa Nova, que conheceu Edu Lobo e onde recebeu o convite para interpretar "Arrastão" no festival do ano seguinte.

O ano 1964 foi glorioso, pois receberia a proposta de apresentar o programa O Fino da Bossa, ao lado de Jair Rodrigues, que ficou no ar até 1967 (TV Record, Canal 7, SP) e originou três discos de grande sucesso: um deles, Dois na Bossa, foi o primeiro disco brasileiro a vender um milhão de cópias.

Uma curiosidade sobre esse programa é que nasceu do espetáculo “Fino da Bossa” organizado pelo Centro Acadêmico da Faculdade de Odontologia da USP, que ficou conhecido também como Primeiro Denti-Samba.

Elis foi pioneira em lançar um selo independente. Isso ocorreu em 1966 quando ela lançou o selo “Artistas”, registrando o primeiro disco independente produzido no Brasil, intitulado “Viva o Festival da Música Popular Brasileira”, gravado durante o festival.

Sempre engajada politicamente, Elis participou de uma série de movimentos de renovação política e cultural brasileira, com voz ativa da campanha pela Anistia de exilados brasileiros. Sua interpretação de O bêbado e a equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc), vibrava como o hino da anistia. A canção coroou a volta de personalidades brasileiras do exílio, a partir de 1979. Um deles, citado na canção, era o irmão do Henfil, o Betinho, importante sociólogo brasileiro.

Outra questão importante se refere ao direito dos músicos brasileiros, polêmica que Elis encabeçou, participando de muitas reuniões em Brasília. Além disso, foi presidente da Assim, Associação de Intérpretes e de Músicos.

Nos festivais, obteve mais uma vitoriosa participação no III Festival de Música Popular Brasileira (TV Record) com a canção “O cantador” (Dori Caymmi e Nelson Motta), classificando-se para a finalíssima e reconhecida com o prêmio de Melhor Intérprete.

Considerada uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, nunca houve uma intérprete com tanto carisma. As interpretações apaixonadas, a enorme popularidade, o temperamento explosivo e a morte prematura, aos 36 anos. Tudo isso junto fizeram de Elis um mito.

Em pouco menos de 20 anos, gravou 31 discos com o melhor que a MPB já produziu.

Lançou diversos compositores até então desconhecidos, como Milton Nascimento, Renato Teixeira, Tim Maia, Gilberto Gil, João Bosco e Aldir Blanc, Sueli Costa, entre outros e influenciou diversas cantoras.

Em 1975, com o espetáculo Falso Brilhante, que mais tarde originou um disco homônimo, atinge enorme sucesso, ficando mais de um ano em cartaz e realizando quase 300 apresentações. Lendário, tornou-se um dos mais bem sucedidos espetáculos da história da música nacional e um marco definitivo da carreira. Ainda teve grande êxito com o espetáculo Transversal do Tempo, em 1978, o Essa Mulher em 1979, o Saudades do Brasil, em 1980, e finalmente o último espetáculo, Trem Azul, em 1981.

Certa vez, no Olympia, em Paris, voltou ao palco seis vezes atendendo aos pedidos de bis da platéia.

Casou-se 2 vezes.

Primeiro com Ronaldo Bôscoli em 1967. Teve um filho, João Marcelo. 

Depois com César Camargo Mariano em 1972. Teve 2 filhos, Pedro e Maria Rita. Todos músicos.

Amada e idolatrada, Elis deixou saudade. Sua morte repentina, em 19/janeiro/1982, chocou o Brasil.

“Não tenho tempo para desfraldar outra bandeira que não seja a da compreensão, do encontro e do entendimento entre as pessoas”, disse Elis, poucos meses antes de sua morte.

Elis Regina continua viva na memória do público, mesmo tendo morrido há 27 anos.

 

Fonte:
http://www.brasileirinho.mus.br/artigos/elis.htm
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u23844.shtml
http://oglobo.globo.com/cultura/kogut/nostalgia/post.asp?t=elis_regina_no_programa_fino_da_bossa_1965&cod_Post=113832&a=294
http://almanaque.folha.uol.com.br/ilustrada_08abr1965.htm
http://www.terra.com.br/istoegente/100mulheres/musica/elis.htm
http://www.discosdobrasil.com.br/discosdobrasil/consulta/detalhe.php?Id_Artista=AR0046

 

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