
Celso Antonio Pereira - Para o Show “La Negra por La Negrita”, com Miriam Mirah, em 22/07/09
Haydée Mercedes Sosa (San Miguel de Tucumán, em 9 de Julho de 1935) é uma cantora Argentina de grande apelo popular. Conhecida como La Negra pelos longos e lisos cabelos negros.
O Início
Descoberta aos quinze anos de idade, ela se destacou em 1950 cantando numa competição de rádio e, como prêmio, foi-lhe oferecido um contrato de dois meses. A partir de então seguiu pela música.
Em 1960 integrou-se ao “Movimento del Nuevo Cancionero” corrente renovadora do folklore surgida em Mendoza que propunha descartar as modas passageiras e fixar a vida cotidiana do homem argentino com suas alegrias e tristezas. Além dela, os fundadores desse movimento foram Armando Tejada, Manuel Oscar Matus e Tito Francia. Manuel Oscar Matus, seu marido, produziu seu primeiro disco “Canciones con Fundamento” num selo independente.
Reconhecimento
Em 1965 ficou popularmente conhecida na Argentina quando foi apresentada pelo cantor Jorge Cafrune no Festival Nacional de Folklore de Casquín. Em 1967 consagrou-se internacionalmente nos EUA e Europa com uma longa excursão e uma serie de apresentações nesses locais.
Em 1970 com Ariel Ramirez e Felix Luna grava “Cantata Sudamericana” e “Mujeres Argentinas”. Gravou também um tributo à protagonista do canto popular chileno, Violeta Parra no ano seguinte no disco “La voz de Mercedes Sosa”. Nessa época participou de alguns filmes.
Em 1972 gravou “Hasta la Victoria” um disco com forte conteúdo político e social. Compositores como ela buscavam não ficarem alheios ao compromisso e militância políticos, pois queriam colaborar para um mundo mais justo e equilibrado.
Tempos Difíceis
O ano 1973 foi marcado por forte convulsão social e retrocesso democrático. Foi o inicio de uma época dificil e violenta em toda a América Latina, mas mais ainda na Argentina. Mesmo assim Mercedes Sosa continuou seu trabalho na mesma linha que vinha seguindo, relatando a cruel realidade latino-americana.
Em agosto de 1976, ano crucial para a Argentina, ela grava o “Mercedes Sosa” trabalho que resgatou poetas e cantores populares argentinos e latino-americanos como os chilenos Victor Jara e Pablo Neruda, a peruana Alicia Maguiña e o cubano Ignacio Villa (o Bola de Neve).
No ano de 1977 grava “Mercedes Sosa interpreta Atahualpa Yupanqui” um grande compositor e cantor popular argentino. O clima politico no país era cada dia mais opressivo, até que culminou no seu exílio. O Exílio
Em 1979 gravou “Serenata para la Tierra de Uno” em meio a violência que sacudia o país. Mercedes continuava cantando com coragem, mas o cerco estava se fechando em torno dela até que na cidade de La Plata ela foi presa juntamente com todo o publico que havia acompanhado o seu show. Foi exilada. Inicialmente para Paris e depois, no ano seguinte, para Madrid.
O Regresso
Voltou ao país em fevereiro de 1982, pouco antes da Guerra das Malvinas, quando a ditadura argentina começava agonizar. Realizou vários concertos no Teatro Ópera de Buenos Aires, voltou a Espanha e depois retornou definitivamente a Argentina quando gravou seu disco “Gente Humilde”. Nessa época realizou uma série de concertos pelo Brasil.
No final de 1983 gravou um disco com canções que seriam seus grandes êxitos como “Un son para Portinari” e “Maria Maria”. Gravou ainda outras belas cançoes de Carly Garcia e Silvio Rodriguez. Gravou “Corazón Maldito” de Violeta Parra e “Me voy pa'l mollar” de Margarita Palacios.
Democracia
Em 1984 se vivia a euforia argentina do regresso à democracia no lugar de uma ditadura e uma guerra. Mercedes grava o disco “Será posible el sur?”. Nesse mesmo ano em dezembro, protagoza o espetáculo “Corazón Americano” ao lado de Milton Nascimento e León Gieco, alcançando grande sucesso.
Em 1986 excursiona pela Europa, Brasil e EUA e se apresenta nas principais casas de espatáculos.
Nos anos seguintes grava com Fito Páes, Pablo Milanés, raimundo Fagner, Milton Nascimento, Teresa Parodi, Charly Garcia, Beth Carvalho, Amparo Ochoa e outros importantes artistas.
Hoje
Em março de 1997 participa do conclave internacional “Río + 5”, como vice-presidente do Conselho da Terra, representante da América Latina, com a finalidade da redação da “Carta da Terra”, um documento equivalente a Declaração Universal dos Direitos Humanos, para definir um sistema operacional de valores que orientem nosso comportamento, nossas relações e esforços para o desenvolvimento.
Desde a década de 80 até os dias de hoje vem se apresentando com grande atividade em todos os lugares do Mundo. Seu mais recente trabalho é o disco “Corazón Libre” de 2005.
Condecorações
Recebeu vários prêmios e condecorações por sua obra e sua atuação em defesa dos direitos da mulher, dos direitos humanos, por sua divulgação e valorização da cultura latino americana em todo o mundo.
Mercedes sempre foi admirada pelo seu timbre de voz de contralto.Interpretou um vasto repertório, gravou vários estilos e atuou ao lado de vários compositores consagrados. Teve destaque na música, na cultura, na política e na sociologia.
Alguns Parceiros Brasileiros
Possui um dueto maravilhoso (“So le piedo a Dios”) com a consagrada cantora de Samba Beth Carvalho, cada uma cantando no seu idioma. Tem também um dueto com o cantor cearense Fagner na música “Años”, sucesso gravado em 1981.
Filmografia
Discografia
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