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Samba

Celso Antonio Pereira - Para o show “É samba mesmo!”, com Kaká Silva em 29/07/09

 

Introdução

O samba é um gênero musical, de onde deriva um tipo de dança, de raízes africanas surgido no Brasil e tido como o ritmo nacional por excelência.

Considerado uma das principais manifestações culturais populares brasileiras, o samba se transformou em símbolo de identidade nacional.

Dentre suas características originais, está uma forma onde a dança é acompanhada por pequenas frases melódicas e refrões de criação anônima, alicerces do samba de roda nascido no Recôncavo Baiano e levado, na segunda metade do século XIX, para a cidade do Rio de Janeiro pelos negros que migraram da Bahia e se instalaram na então capital do Império.

O samba de roda baiano, que em 2005 se tornou um Patrimônio da Humanidade da Unesco, foi uma das bases para o samba carioca.

Apesar do samba existir em todo o país, especialmente nos Estados da Bahia, do Maranhão, de Minas Gerais e de São Paulo, sob a forma de diversos ritmos e danças populares regionais que se originaram do batuque, o samba como gênero é uma expressão musical urbana do Rio de Janeiro, onde de fato nasceu e se desenvolveu entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX.

Foi no Rio de Janeiro que a dança praticada pelos escravos baianos migrados entrou em contato e incorporou outros gêneros musicais tocados na cidade, como a polca, o maxixe, o lundu, o xote, entre outros, adquirindo um caráter totalmente singular e criando o samba carioca urbano e carnavalesco.

O samba, além de ser o gênero musical mais popular no Brasil, é muito conhecido no exterior e está associado, assim como o futebol e o carnaval - ao nosso país.

Esta estória começou com o sucesso internacional de “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, seguiu com Carmem Miranda, apoiada pelo governo Getúlio Vargas e a política da boa vizinhança norte-americana, que levou o samba para os Estados Unidos.

O sucesso do samba na Europa e no Japão apenas confirma sua capacidade de conquistar fãs, independente do idioma.

Além de ritmo e compasso definidos musicalmente, traz historicamente em seu bojo toda uma cultura de comidas típicas, danças variadas, festas, roupas e pinturas.

O Dia Nacional do Samba é comemorado em 2 de dezembro. A data foi criada em homenagem a Ary Barroso, quando visitou Salvador. Ele havia composto “Na Baixa do Sapateiro” embora sem ter conhecido a Bahia.

Origens do termo samba

Existem várias versões acerca do origem do termo “samba”. Uma delas afirma ser originário do termo “Zamba”, oriundo da língua árabe, influenciando na  Península Ibérica Sec VIII. Outra diz que é originário do quimbundo, língua africana, significando “coisa que cai”. Outra ainda, mais aceita no Brasil, acredita que o termo “samba” foi uma corruptela de “semba”, palavra de origem africana - possivelmente oriunda de Angola ou Congo, de onde vieram a maior parte dos escravos para o Brasil, significando “umbigada”.

O registro mais antigo da palavra “samba” apareceu numa revista em 1838, não se referindo ao gênero musical, mas sim a um tipo de dança popular de negros daquela época.

De acordo com o pesquisador Hiram da Costa Araújo, ao longo dos séculos, as festas de danças dos negros escravos na Bahia eram chamadas de “samba”.

Favela e as Tias Baianas

A partir da segunda metade do século XIX, a medida que as populações negra e mestiça na cidade do Rio de Janeiro, oriundos de várias partes do Brasil, principalmente da Bahia, cresciam, formavam comunidades pobres que estas próprias populações denominaram de favela.

Dentre os primeiros destaques dessas comunidades, estavam o músico e dançarino Hilário Jovino Ferreira, responsável pela fundação de vários blocos de afoxés e ranchos carnavalescos e as “Tias Baianas”, termo como ficaram conhecidas muitas baianas descendentes de escravos no final do século XIX.

As principais “Tias Baianas”, eram Tia Amélia (mãe de Donga), Tia Prisciliana (mãe de João da Baiana), Tia Veridiana (mãe de Chico da Baiana) e Tia Ciata, essa talvez a mais conhecida de todas.

Assim, o samba propriamente como gênero musical nasceria no início do século XX nas casas destas “Tias Baianas”, como um estilo descendente do lundu, das festas dos terreiros entre umbigadas (semba) e pernadas de capoeira, marcado no pandeiro, prato-e-faca e na palma da mão.

O samba urbano carioca se firmaria no século XX como o “samba brasileiro” por excelência.

No entanto, antes desse tipo de samba se consolidar como o “samba nacional” em todo o Brasil, havia formas tradicionais de sambas na Bahia e em São Paulo e também em outros estados.

Bahia e São Paulo

Os instrumentos do samba baiano eram o pandeiro, o violão, o chocalho e, às vezes, as castanholas e os berimbaus. A coreografia sempre apresentava a umbigada e outros passos. As mulheres dançavam o “miudinho”.

Em São Paulo, o samba passou do domínio negro para o caboclo. Na zona rural, pode se
apresentar sem a tradicional umbigada. Os instrumentos do samba paulista eram as violas, os adufes e os pandeiros.

Rio de Janeiro - Samba-maxixe

Tia Ciata foi uma das responsáveis pela sedimentação do samba carioca. Segundo o folclore da época, para que um samba alcançasse sucesso, ele teria que passar pela casa de Tia Ciata e ser aprovado nas rodas de samba das festas, que chegavam a durar dias.

Muitas composições foram criadas e cantadas em improvisos, caso do samba “Pelo Telefone” de 1917, composição reivindicada por Ernesto dos Santos (Donga) e Mauro de Almeida, cronista carnavalesco. Musica esta que entraria para a história da música brasileira como o primeiro samba a ser gravado.

Essa canção pela sua proximidade com o maxixe fez com que fosse designada como samba-maxixe, vertente influenciada pela dança maxixe e tocada basicamente ao piano, diferentemente do samba carioca tocado nos morros.

Teve como expoente o compositor Sinhô “o rei do samba”, que com Heitor dos Prazeres e Caninha, estabeleceria os primeiros fundamentos do gênero musical.

Rio de Janeiro - Samba-de-morro (Turma do Estácio)
 
O “samba carioca” nascido no centro da cidade iria galgar as encostas dos morros e se alastrar pela periferia afora, a ponto de ser identificado como samba de morro.

No final da década de 1920, nasceu o samba dos blocos carnavalescos dos bairros do Estácio de Sá e Osvaldo Cruz, e dos morros da Mangueira, Salgueiro e São Carlos, que faria inovações rítmicas no samba que perduram até os dias atuais.

Deste grupo, se destacaria a chamada “Turma do Estácio”, onde surgiria ainda a “Deixa Falar, a primeira escola de samba brasileira.

A “Turma do Estácio” marcaria a história do samba brasileiro por injetar ao gênero uma cadência mais picotada. Turma essa formada por Alcebíades Barcellos (Bide), Armando Marçal, Ismael Silva, Nilton Bastos e outros, com endosso de filhos da classe média, como o ex-estudante de direito Ary Barroso e o ex-estudante de medicina Noel Rosa.

A “Deixa Falar” teria sido a primeira escola a desfilar no carnaval carioca ao som de uma orquestra de percussões formada por surdos, tamborins, cuícas, pandeiros e chocalhos. Este conjunto instrumental foi chamado de “bateria” e prestava-se ao acompanhamento de um tipo de samba que já era bem diferente dos de Donga, Sinhô e Pixinguinha.

O samba feito à moda do Estácio de Sá firmou-se rapidamente como o samba carioca por excelência.

As rodas de samba eram freqüentadas por compositores de outros morros cariocas, como Cartola, Carlos Cachaça, posteriormente Nelson Cavaquinho, Geraldo Pereira e outros.

Depois da fundação da Deixa Falar, o fenômeno das escolas de samba tomou conta do cenário carioca e ajudou a impulsionar subgêneros do samba, do partido-alto, cantado como desafio nos terreiros, ao samba-enredo, trilha para desfile das Escolas de samba do Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro - Samba-de-Partido-Alto

Cantado nos terreiros das escolas de samba ou nas habituais reuniões festivas, regadas a música, comida e bebida, o samba-de-partido-alto tem suas origens nas umbigadas africanas é a forma de samba que mais se aproxima da origem do batuque angolano e congolês.

Samba-Enrêdo (influência do Estado Novo)

Juntamente com as escolas de samba que galgaram estágios de aceitação, admiração e paternalização através dos anos, o samba-enredo se tornou um dos símbolos nacionais.

Inicialmente, o samba-enredo não tinha enredo, mas isso mudou quando Getúlio Vargas, no Estado Novo, assumiu a organização dos desfiles e obrigou que os sambas-enredo fossem sobre a história oficial do Brasil.

A letra do samba-enredo conta uma história que servirá de enredo para o desenvolvimento da apresentação da escola de samba.

Em geral, a música é cantada por um homem, acompanhado sempre por um cavaquinho e pela bateria da escola de samba.

Iniciadas nos moldes dos ranchos carnavalescos, as escolas, inicialmente com Mangueira, Portela, Império Serrano, Salgueiro e depois com Beija-Flor, Imperatriz Leopoldinense e Mocidade Independente, cresceriam até dominar o Carnaval carioca, transformando-o no grande negócio que é, com forte impacto no movimento turístico.

Samba-Exaltação e Samba-Canção

Na era do rádio surgiram os sub-gêneros Samba-exaltação e Samba-canção.

A partir da década de 1930, a popularização do rádio no Brasil ajudou a difundir o samba por todo o país. As emissoras de rádios brasileiras ajudaram a popularizar o samba-canção e o samba-exaltação, sub-gêneros muito executados.

Com a gravação “Ai, Ioiô” (de Henrique Vogeler), na voz de Aracy Cortes, o samba-canção foi lançado em 1928 e se firmou na década seguinte.

Era uma forma mais lenta e cadenciada do samba e tinha como ênfase musical uma melodia geralmente de fácil aceitação.

Essa vertente foi influenciada mais tarde por ritmos estrangeiros como fox e posteriormente pelo bolero.

Se o samba de morro tratava de temas diversos como malandragem, mulheres, favelas, o samba-canção mudou o foco para o lado subjetivo das dores e ingratidões, principalmente pela ótica do sofredor amoroso, tendo como resquício a temática do bolero.

Foi considerado um gênero da classe média por excelência.

Seus mais famosos compositores foram Noel Rosa, Ary Barroso, Lamartine Babo, Braguinha (conhecido também como João de Barro) e Ataulfo Alves. Outros destaques deste estilo foram Antônio Maria, Custódio Mesquita, Dolores Duran, Fernando Lobo, Henrique Vogeler, Ismael Neto, Lupicinio Rodrigues, Batatinha e Adoniran Barbosa, este último marcadamente por doses satíricas.

A ideologia do Estado Novo de Getúlio Vargas influenciava no cenário do samba.

A canção “Aquarela do Brasil” (de Ary Barroso), gravada por Francisco Alves em 1939 foi o carro-chefe do samba-exaltação e primeiro sucesso brasileiro no exterior.

O samba-exaltação era caracterizado por composições de melodia extensa e versos
patrióticos.

A cantora luso-brasileira Carmem Miranda conseguiu projetar o samba internacionalmente a partir do cinema.

Com o suporte do presidente Getúlio Vargas, o samba ganhou status de “música oficial” do Brasil.

Mas este status de identidade nacional também veio do reconhecimento de intelectuais como Heitor Villa-Lobos e outros, além de uma nova safra de artistas como Francisco Alves, Mário Reis, Orlando Silva, Silvio Caldas e, posteriormente, Aracy de Almeida, Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso, Assis Valente, Dorival Caymmi, entre outros.

Samba-de-Gafieira, Samba-Choro, Samba-de-Breque, Sambalada.

A partir de meados da década de 1940 e ao longo da década de 1950, o samba recebeu novas influências de ritmos latinos e norte-americanos. As concentrações urbanas provocaram o aparecimento das primeiras danceterias populares, as chamadas gafieiras, palco para estilos novos que surgiriam dentro do seio do samba, como são os casos dos sincopados samba-choro e samba de gafieira. O samba-de-gafieira foi um sub-gênero surgido sob influência de ritmos latinos e norte-americanos - geralmente instrumentais e tocados por orquestras norte-americanas adequada para danças praticadas em salões públicos, gafieiras e cabarés.

Já o samba-choro era uma variante do samba surgida nos anos 1930 em que se misturam o fraseado instrumental do choro (com flauta) ao batuque do samba.

Em 1933, Heitor dos Prazeres lançou o samba “Eu choro” e o termo “breque” (do inglês break). Assim surgia o samba-de-breque.  

Variante do samba-choro, o samba-de-breque era caracterizado por um ritmo acentuadamente sincopado com paradas bruscas, os chamados breques, durante a música para que o cantor fizesse uma intervenção.

Estas paradas serviam para o cantor encaixar as frases apenas faladas, diálogos ou comentários bem humorados, conferindo graça e malandragem na narrativa.

Luís Barbosa foi o primeiro a trabalhar este tipo de samba, que conheceu em Moreira da Silva o seu expoente máximo. Outro destaque desta vertente foi Germano Mathias.

Década de 1960

Com a bossa nova, o samba se afastou ainda mais de suas raízes populares. A influência do jazz aprofundou-se e foram incorporadas técnicas musicais eruditas.

Mas ao longo das décadas de sessenta e setenta, muitos artistas que surgiam - como Chico Buarque de Holanda, Billy Blanco, Martinho da Vila e Paulinho da Viola defenderam o retorno do samba a sua batida tradicional, com a reaparição de veteranos como Candeia, Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Kéti.

No início da década de 1960 foi criado o “Movimento de Revitalização do Samba de Raiz”, promovido pelo Centro Popular de Cultura, em parceria com a União Nacional dos Estudantes.

Foi o tempo do aparecimento do bar Zicartola, dos espetáculos de samba no Teatro de Arena e no Teatro Santa Rosa e de musicais como “Rosa de Ouro”. Produzido por Hermínio Bello de Carvalho, o “Rosa de Ouro” revelou Araci Cortes e Clementina de Jesus.

Dentro da bossa nova surgiram dissidências. Uma delas gerou os Afro-sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes. Além disso, parte do movimento se aproximou de sambistas tradicionais, re-valorizando o samba do morro, especialmente de Cartola, Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho, Zé Kéti e, mais adiante, Candeia, Monarco, Monsueto e Paulinho da Viola.

Década de 1970

No começo da década de 1970, novamente o samba viveria um período de revalorização, que projetaria cantoras como Alcione, Beth Carvalho e Clara Nunes, Roberto Ribeiro e dos compositores João Nogueira, Nei Lopes e Wilson Moreira.

O samba passou a ser novamente muito executado nas rádios, com grande destaque para sua vertente partido-alto e com o domínio das paradas de sucesso por artistas como Martinho da Vila, Bezerra da Silva, Clara Nunes e Beth Carvalho.

Samba-Jóia

Entre alguns nomes do samba-jóia, estavam Agepê, Antonio Carlos e Jocafi, Benito Di Paula, Luiz Ayrão, Jorginho do Império, Os Originais do Samba e Beth Carvalho “Vou Festejar” e “Coisinha do Pai”, dois sambas chamados “jóias” logo aceitos por várias faixas sociais, mas considerados por alguns críticos como de “qualidade duvidosa”.

Ainda na década, se destacaria na cidade de São Paulo Geraldo Filme, um dos principais nomes do samba paulistano - ao lado de Germano Mathias, Osvaldinho da Cuíca, Tobias da Vai-Vai, Aldo Bueno e Adoniran Barbosa.

E ao final da década, João Bosco em dupla com o poeta Aldir Blanc - dois discípulos dos estilos de violão tocados por Baden Powell, Dorival Caymmi e Gilberto Gil – também ajudariam a renovar o samba tradicional (inclusive o de enredo), algo que Aldir continuaria a fazer com novos parceiros como Guinga e Moacyr Luz na década de 1990.

Década de 1980 – Pagode

Com características do choro e um andamento de fácil execução para os dançarinos, o pagode é basicamente dividido em duas tendências.

A primeira delas é mais ligada ao partido-alto, também chamada de pagode de raiz, que conservava a linhagem sonora e fortemente influenciada por gerações passadas.

A segunda tendência, considerada mais “popular”, ficou conhecida como “pagode-romântico” e passou a ter grande apelo comercial na década de 1990 em diante.

Nascido no final da década 70 na quadra do Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos, o pagode era um samba renovado, que utilizava novos instrumentos que davam uma sonoridade peculiar àquele grupo, como o banjo com braço de cavaquinho (criado por Almir Guineto) e o tantã (criado por Sereno), e uma linguagem mais popular.

Pontuado pelo banjo e pelo tantã, o pagode seria uma resposta ao ocaso do samba no início dos anos oitenta, que teria obrigado os seus seguidores a se reunirem em fundos de quintal para mostrar suas novas composições diante de uma platéia de vizinhos. Este ramal do samba, movido a partido-alto, revelaria inicialmente nomes como Almir Guineto, Jorge Aragão, Jovelina Pérola Negra e Zeca Pagodinho (o único que se firmaria ao fim da onda inicial), além do Grupo Fundo de Quintal, que revelaria ainda a dupla Arlindo Cruz e Sombrinha.

Também partideiro, da década anterior, Bezerra da Silva emplacaria seus chamados “sambandidos”, canções com enredos que documentavam a guerra civil da sociedade partida.

Década de 1990 - Pagode-romantico, Pagode-no-trem, Samba Rap, Samba Reggae.

O “pagode romântico” se tornaria um fenômeno comercial, com o lançamento de dezenas de artistas e grupos paulistas, mineiros e cariocas, entre os quais, Art Popular, Exaltasamba, Harmonia do Samba, Irradia Samba e Kaô do Samba, Só Pra Contrariar, entre outros. Apesar da massificação nas rádios, esee tipo de pagode desagrada grande parte da crítica musical, que questiona especialmente a qualidade das músicas.

Em 1995, o compositor Marquinhos de Oswaldo Cruz reorganizou o “Pagode do Trem”, fazendo com que o evento entrasse para o calendário turístico da cidade do Rio de Janeiro, sendo apresentado no Dia Nacional do Samba, em 2 de dezembro.

O “Pagode no Trem” era inspirado nos encontros organizados por Paulo da Portela durante a década de 1930. após um dia de trabalho, estes sambistas voltavam para Oswaldo Cruz no trem do início da noite e, em um desses vagões, organizavam reuniões e discutiam a organização do carnaval, sempre com muito samba.

Ainda nos anos noventa, apareceram mais duas fusões de samba com outros gêneros musicais. O primeiro deles foi o samba-rap, criado nas favelas e presídios paulistanos e cariocas.

O outro foi o samba-reggae, este surgido a partir de manifestação de grupos baianos, cariocas e paulistas em modificar o pagode tradicional e o transformar em um samba suingado.

Século XXI - Retomada,  Samba-da-Vela e Patrimônio Histórico

A partir do ano 2000, surgiram alguns artistas que buscavam se reaproximar das tradições mais populares do samba.

Foram os casos de Marquinhos de Oswaldo Cruz, Teresa Cristina e Grupo Semente, entre outros, que contribuíram para a revitalização da região da Lapa, no Rio de Janeiro.
Em São Paulo, o samba retomou a tradição com shows no Sesc Pompéia, no Villaggio Café desde 1997 e no Esquina Carioca.

Também através do trabalho de vários grupos, entre eles, o grupo Quinteto em Branco e Preto que desenvolvia o evento “Samba da Vela”.

Em 2004, o então ministro da cultura Gilberto Gil apresentou à Unesco o pedido de tombamento do samba como Patrimônio Cultural da Humanidade, na categoria “Bem Imaterial”, através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O samba de roda baiano, em 2005 se tornou um Patrimônio da Humanidade da Unesco, foi uma das bases para o “samba carioca”.

Em 2007, o IPHAN conferiu registro oficial, no Livro de Registro das Formas de Expressão, às matrizes do samba do Rio de Janeiro: samba de terreiro, partido-alto e samba-enredo.

Outras designações para “samba” e Glossário

- BAILE

Da mesma forma que o batuque, já desde o início do século XIX, a palavra samba se estendeu como designação de qualquer tipo de baile popular, sinônimo de arrasta-pé, bate-chinela, brincadeira, balança-flandre, baiana, cateretê, fandango, fobó, forró, forrobodó, função, fungangá, pagode, xiba, zambê, entre outros.

- Instrumentos do samba

O samba é tocado basicamente por instrumentos de percussão e acompanhado por instrumentos de corda. Em vertentes como o samba-exaltação e o samba-de-gafieira, foram acrescentados instrumentos de sopro.

- ADUFE

Datação sec XV. Música. Tipo de pandeiro quadrado de origem árabe, feito de madeira leve com membranas retesadas de ambos os lados, usado especialmente em festas folclóricas portuguesas e brasileiras.

Etimologia: árabe: ad-duff 'pandeiro'

- UMBIGADA

Datação 1899
1. pancada de umbigo contra umbigo, ou na região do umbigo. 2. dança. Regionalismo: Brasil. Pancada com o umbigo que o dançarino solista dá naquele que o vai substituir, nas danças de roda trazidas pelos escravos bantos. 3. dança. Regionalismo: Brasil. Coreografia presente em várias danças folclóricas brasileiras que consiste numa aproximação dos umbigos dos executantes; tunga.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Samba

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